A história de 5 crianças e adolescentes refugiados no Brasil
16 de dezembro de 2019 por Ana Dantas

Muitas famílias vêm sendo obrigadas a deixar seus países de origem por conta de problemas econômicos, guerras civis, pobreza, falta de recursos básicos de saúde e educação, por exemplo. E o Brasil tem sido um dos principais destinos desses refugiados por ser um local pacificado e que recebe bem todos que escolhem este país como casa. Aqui, esses imigrantes são acolhidos e têm uma segunda chance!

As crianças refugiadas, porém, são as que mais sofrem com essa transação, apesar de, por outro lado, se adaptarem mais fácil que os adultos. Contudo, elas encontram forças para continuar sua luta por uma vida digna. Para te conscientizar sobre essa situação, separei cinco depoimentos de crianças e adolescentes refugiados em nosso País. Veja a seguir:

Venezuela: Avril D. – 10 anos

“Viajei de ônibus da Venezuela até Roraima. Em meu país faltava comida, meus pais não tinham dinheiro, haviam muitos ladrões nas ruas, pessoas morrendo, tudo muito perigoso. Lá, eu não tomava café da manhã, só almoço e janta.

Eu pratico Karatê desde os meus 4 anos, um esporte muito popular na Venezuela. Por outro lado, aqui no Brasil, eu consegui bolsa para praticar e já ganhei várias medalhas. Hoje, eu falo mais português do que espanhol, é muito mais fácil para mim. Sinto falta dos meus familiares que ficaram lá, mas eu gosto mais daqui porque tem vida e comida”.  

Avril D. criança refugiada da Venezuela - Ana Dantas

Síria: Gawa W. – 10 anos

“Eu amo comer arroz e feijão do Brasil. Minha família saiu da Síria por causa da guerra. Vim para cá com meus pais e meus três irmãos. Saímos de lá quando tudo ainda estava no começo, agora está bem pior. O que mais me preocupa é minha avó que ficou lá e não temos muito contato.

Aqui no Brasil, eu estou na escola e continuo estudando a língua árabe. Sinto falta das minhas amigas. Mas se a guerra acabar, eu quero voltar. Lá todos os meus familiares moravam na mesma casa, era muito bom ficar junto”.

Gawa W. criança refugiada da Síria - Ana Dantas

República Democrática do Congo: Celina M. – 16 anos

“Só as pessoas que tinham dinheiro que podiam estudar lá no Congo. Aqui no Brasil é muito melhor, estudo sem pagar e a escola ainda dá comida para a gente. Estou feliz aqui, mas não sei como meus familiares estão lá no meu país.

Eu vim sozinha para cá quando eu tinha apenas 13 anos. Recebi muita ajuda porque eu não sabia falar português na época. Hoje meu irmão mais velho também está aqui comigo e estamos tentando conseguir dinheiro para trazer meus pais e meu outro irmão para cá também.

Celina M. República Democrática do Congo - Ana Dantas

Síria: Riad A. – 16 anos

“Na Síria eu e minha família levávamos uma vida de alto padrão com casa própria e tudo mais. Meu pai era engenheiro e ganhava muito bem, ninguém mais precisava trabalhar para pagar as contas.

Aqui no Brasil é diferente. Moramos em uma casa bem pequena, eu tenho bolsa de estudo em uma escola particular e ainda ajudo meus pais fazendo comida síria para pagar as contas no fim do mês.

Eu amo muito brigadeiro, é o meu prato preferido. Mas minha adaptação foi bem difícil. De qualquer maneira, não penso em voltar para a Síria. Quero ficar aqui, terminar meus estudos e me tornar Engenheiro Mecânico”.

Riad A. adolescente refugiado da Síria - Ana Dantas

Síria: Zayn

Zayn veio se refugiar da guerra da Síria aqui no Brasil. Durante sua nova jornada, o menino fez novas amizades, mas também sofreu muito com a xenofobia de seus colegas de escola. Para saber mais sobre essa história emocionante de refugiados, não deixe de ler meu livro Deixando para trás.

* Fonte: Jornal Joca
Compartilhe: Compartilhe esse por WhatsApp Compartilhe esse conteúdo no Facebook