Como ter pensamentos livres se nossa mente é, em sua maioria, poluída de inutilidades, repleto de reflexões intrusivas, e, limitados por inúmeras crenças sociais? Hoje, Dia da liberdade de pensamento, de fato, não temos muito o que comemorar. Contudo, uma questão é mais do que certa: sempre existirá luz no final de qualquer túnel. À medida que os despertos começam a expandir suas consciências, de forma lúcida, seus pensamentos deixam de ser escravos do meio aos quais vivem e, aos poucos, ganham a liberdade que realmente merecem!

Claro que essa liberdade individual é uma conquista e exercício diários numa sociedade ainda adormecida. Conforme vamos ganhando consciência do poder do pensamento, mais estaremos propensos a libertá-los. Para se ver livre de pensamentos escravocratas há uma longa e continua caminhada pela frente já que para o pesquisador e escritor Renato Alves, 80 a 90% dos pensamentos que a mente produz são negativos.

Ana Dantas
A alforria dos pensamentos
Somos constantemente boicotados pela nossa mente racional

Com um percentual tão expressivo de pensamentos negativos, posso afirmar que ser positivista neste mundo empreende um esforço muito maior do que ser realista ou negativista, uma vez que o que era para ser natural em nossa essência, tornou-se artificial. Sim, a natureza humana, em seu íntimo, é abundante, prospera e feliz. Basta olhar para uma criança e ver como ela é ao nascer e sem ter sido moldada pelos pais ou sociedade.

Fomos alimentados por milhares de anos por crenças sociais limitantes, sejam elas vindas de nossos antepassados, do que ouvimos em nosso em torno ou sendo marteladas por uma mídia sensacionalista e manipuladora. Esse conjunto de fatores tirou nosso poder de pensamento e de ser. O que, claro, resultou em pura autossabotagem, pois ao invés de seguirmos a nossa natureza, preferimos dar vazão ao estímulo exterior. Ao invés de nos nutrimos com a perfeição, fomos dando espaço para o desarmonioso.

Ana Dantas
A alforria dos pensamentos
O que admiramos ou odiamos no outro é o potencial que temos em nós

Participando de um projeto inovador que envolve autoconhecimento, sagrado feminino e economia colaborativa ouvi de uma psicóloga que “o mundo está mentalmente doente e, por isso as profissões do futuro são os psicólogos e terapeutas”. Na época achei um exagero tais palavras. Quiçá ela pudesse estar querendo vender seus serviços, pensei.

Com o tempo, percebi que ela tinha razão, pois dentro do projeto eu pude participar de várias egrégoras e, em cada uma delas, fui identificando comportamentos de autossabotagem, de vitimismo, julgamentos entre tantos outros. Inclusive em mim, o que possibilitou me revisitar e reforçar a espiritualidade através do autoconhecimento que já vinha lapidando em meu interior até aquele momento. Aprendi muito!

Mas o aprendizado mais edificante que experienciei foi o fato de eu conseguir limpar minha mente de tantas crenças sociais e, principalmente, do negativismo. Conquistei o silêncio e reeduquei minha mente na vibração ao qual eu decidi e escolhi estar: o pensamento e ordem positivista.

Os grupos (ou egrégoras, como habitualmente chamávamos) acabaram servindo de análise comportamental que, claro, uso até hoje na construção de alguns dos meus personagens. Fui percebendo aos poucos que a fala da psicóloga tinha fundamento. Como em qualquer egrégora, e como já tinha dito no meu artigo “Silêncio de ouro”, o espelho só nos ensina que o que incomoda (ou nos agrada) nos outros é apenas uma projeção nossa.

Ana Dantas
A alforria dos pensamentos
A dualidade divide, o amor une

E não temos que ir muito longe para percebermos tal cenário desvantajoso. Navegando nas redes sociais podemos constatar dois pontos incontestáveis que, ainda, me chamam a atenção. O primeiro deles é sobre a questão dos assuntos das postagens. A maioria dos conteúdos são de notícias negativas, sensacionalistas e até mesmo briga sobre pontos de vista. Este último ponto por si só já nos demonstra que não temos liberdade de pensamento, consequentemente, de expressão. E, o conjunto dos três itens só confirma o que o Renato Alves disse sobre o elevado percentual de pensamentos negativos.

O mais pitoresco nisso é que quanto mais a notícia for repulsiva, mais existe a interação dos internautas. Em contraponto, notícias boas não são compartilhadas, curtidas ou comentadas na mesma proporção. Parece que há no inconsciente coletivo uma comoção por este viés de pensamentos, digamos, suicidas. Algo que apenas sustenta o que disse anteriormente: estamos na contramão da nossa natureza, ou seja, na contramão da perfeição da divindade que existe em nós. Melhor dizendo: a grande maioria da população é escrava da mente negativa que se veio construindo por milhares de anos, fato.

O segundo ponto é sobre o aumento da dualidade nos posts. Apesar de atualmente não mais me incomodar tais tipos de comportamento, particularmente, acredito que a dualidade não acrescenta nada em nossa trajetória evolutiva, pois um mestre de si mesmo não toma partido. Seu poder pessoal é mais eficaz quando se está centrado no sagrado coração e guiado pela sabedoria da mente pura e virtuosa.

Dentro desse contexto dual, as pessoas expõem sem nenhum tipo de filtro suas verdadeiras essências como se realmente existisse o bem e o mal, a tristeza e a felicidade, o certo e o errado. Esquecendo que quanto mais se alimenta a dualidade em seu interior, mas se distancia de seu âmago. Dentro desse contexto, tenho relatos de filhos cortando relações com seus pais, amigos desfazendo amizades, julgamentos a torta e a direita. E me pergunto: a troco de quê?

Ana Dantas
A alforria dos pensamentos
Despertar é não é mudar quem você é, mas descartar quem você não é

O fato é que há de se pensar com carinho antes mesmo de se pronunciar ou escrever, pois se o pensamento por si só já tem poder, quiçá a vibração da manifestação de determinadas palavras ou de suas escritas. Se queremos ter a liberdade de pensamento, devemos respeitar o pensamento do outro, sem julgamentos.

Aprender com o passado é rever práticas que já não faz mais sentido dentro deste despertar. É escolher que tipos de vibrações queremos ressoar e permanecer. É optar por ser original, acima de tudo, em pensamentos para que eles sejam livres de juízo e prejuízos.

Ana Dantas
A alforria dos pensamentos
As palavras vibram mesmo quando o silêncio se instala

Por ora, o pensamento é silencioso perante os outros, mas dentro em breve não o será, pois o processo e período evolutivo já bate a nossa porta. Sejamos o observador do que está em nossa volta, limpemos e silenciemos nossa mente, e, então, poderemos notar como esse posicionamento é capaz de mudar todo o seu entorno assim como a transformação do vinho para a água ou da água para o vinho.

Quando se valoriza o que acontece no exterior é porque se tem dificuldades em se autoconhecer, talvez até com medo do que possa encontrar em si. Mas quando nos permitimos essa viagem do autoconhecimento, acredite, avança-se em sublime renovação. E nessa viagem o pensamento é fundamental! É tão gratificante tal transmutação que ao findarmos não queremos mais voltar à mente poluída de negativismo. Sair da zona de conforto realmente é intenso, mas é perfeitamente possível.

Antes de findar meu raciocínio e este artigo, eu quero deixar uma última provocação, em forma de frase, do cineasta, ator, poeta, escritor e psicólogo chileno Alejandro Jodorowsky. A sentença diz que “pássaros criados em gaiola, acreditam que voar é uma doença”. Então, eu pergunto: Você, de fato, se acha um ser livre em pensamento?

Sejamos pássaros livres usufruindo do nosso pleno poder, natureza e independência do pensar! Assim é.


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Andrea
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Andrea

Na verdade nossa mente é um solo fértil….o que semearmos iremos colher…..daí o cuidado com os pensamentos!!

Claudio Souza
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Claudio Souza

Fato
Uma sociedade que sempre sobre pela embriaguez da mídia e do perfil dito como perfeito imposto pela sociedade.

Que aprisiona a liberdade que temos de sermos livres nas nossas questões e conduções de nossas vidas.

Perdemos pelo que vejo na altura da minha idade. Muitos e muitos anos até percebermos o que realmente somos e queremos.

Geane Gil
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Geane Gil

Muito lindo e libertador esse texto….Amei!!!

Lino Fernandes
Visitante
Lino Fernandes

Algumas reflexões que vão de encontro ao meu querer em não trabalhar mais com TI e sim na área da psicologia. Já vinha buscando cursos e textos pra entender mais e sobre as áreas da psicologia. Fiquei triste quando soube que a faculdade de psicologia não poderia ser feito via EAD por conta da minha condição (deficiente físico). Gostaria muito de aproveitar o tempo que estou “impossibilitado”, e aprender algo que faça a diferença não somente na minha vida, mas principalmente na vida de muitas outras pessoas. Como TI além de uma frustração financeira, vejo que ajudo muito pouco as… Read more »